Advento

Banner Advento

Tempo do Advento

O que significa advento?

A palavra advento (do latim adventus) significa chegada, vinda; aniversário de uma chegada, de uma vinda. Antigamente, esse termo era aplicado para a chegada do Imperador, mas a Igreja adotou essa palavra para indicar, antes de tudo, o Nascimento de Jesus. O tempo do Advento possui dupla característica: sendo tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do filho de Deus entre os homens, é também tempo que, por meio dessa lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos.

Espiritualidade do Advento

O Advento é preparação alegre para a celebração da vinda de Jesus Cristo no tempo e na história da humanidade, para lhe trazer salvação. Quando o Natal se aproxima, há uma vibração geral entre os cristãos. É verdade que muitos se preocupam apenas com o aspecto exterior: ornamentação da casa, enfeites típicos natalinos, comidas, bebidas e outras manifestações. Mas, muitos cristãos e cristãs, conscientes do verdadeiro sentido do Natal, se prepararam também espiritualmente para sua celebração. Por isso, com base principalmente nos textos litúrgicos, indicamos alugumas atitudes interiores, que favorecem digna preparação para a vinda do nosso Salvador, Jesus Cristo:

  • Manter-se vigilante, em atitude de oração e de fé, atentos aos sinais da vinda e da presença de Deus em todas as circunstâncias da vida: “Ficai preparados, porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá” (cf. Mt 24,44).
  • Andar nos caminhos de Deus, sem se extraviar para caminhos tortuosos; coverter-se para seguir fielmente a Jesus: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (cf. Mt 3,2).
  • Dar testemunho da alegria que o Salvador nos traz, por meio da caridade afável e da partilha generosa para com todos, principalmente os mais necessitados: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos. Que a vossa bondade seja conhecida por todas as pessoas! O Senhor está próximo” (cf. Fl 4, 4-5).
  • Ter um coração pobre e vazio de si, imitando João Batista, Isabel, José, Maria e outros pobres do Evangelho, que reconheceram em Jesus o Filho de Deus que veio a este mundo para nos salvar: Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias (cf. Mc 1,7).
  • Caminhar na esperança, rezando por um advento pleno e definitivo, pela vinda de Cristo para todos os povos da terra que ainda não conhecem o Messias ou não o reconhecem mais como único Salvador.

No Advento também preparamos a última vinda do Senhor. Ele há-de vir na Sua Glória, no final dos tempos. O Advento é um tempo favorável para a redescoberta de uma esperança não vaga nem ilusória, mas certa e confiável, porque está “ancorada” em Cristo, Deus feito homem, rochedo da nossa salvação. Com esta confiança construímos, agora o nosso presente e olhamos  para o futuro com olhos de esperança, com os olhos de Deus.

 

O Natal anuncia-se próximo com iluminações e enfeites das ruas, cânticos, compras, gestos de solidariedade, convívio familiar. As pessoas e o ambiente parecem mais humanos e fraternos, a vida mostra mais encanto. Respira-se uma alegria interior, serena, contagiante.

Se formos á origem do acontecimento concluímos, realmente, que o Natal veio para ficar e criar uma situação nova:”O Verbo incarnou e habitou entre nós”. Deus fez-se humano e apresentou-se  no nosso meio, na humildade e na simplicidade de uma criança . Trouxe-nos a vida plena, a luz, a verdade. Com a Sua vinda oferece ao mundo mais fraternidade e esperança, mais encanto e beleza.

A alegria do Natal é, portanto, a alegria das realidades simples e essenciais da vida que resistem ao desgaste  do tempo e unem as gerações: da simplicidade que denuncia uma cultura de fachada; da fraternidade que se traduz no acolhimento e no serviço e vence o individualismo; da paz que contraria a agressividade; do dom que renuncia ao egoísmo. O presépio irradia calor humano num tempo árido e fechado: É a alegria que permanece e vence a monotonia e a secura da vida. Procuremos dar o nosso contributo para que seja sempre Natal. Para todos vós umas festas felizes e abençoada. 

cinco_concelhos_advento

Como viver o Advento em Família?

O Advento e o Natal são tempos especiais para nós cristãos.As famílias podem aproveitar o Advento para  unir os corações e assim receber Jesus Cristo, o Salvador. Por isso, sugerimos cinco maneiras para ajudar as famílias das nossas comunidades a celebrarem este período que antecede as comemorações do nascimento de Jesus:

Confecção da coroa do advento

É uma tradição que simboliza a espera do Nascimento de Jesus que transcorre durante as quatro semanas do Advento. A coroa é circular para significar a eternidade de Deus. Adorna-se com galhos das árvores, principalmente de pinheiro e algumas sementes e frutos que evocam a vida e a ressurreição. Sobre ela, são colocadas quatro velas, simbolizando a penitência, oração e que serão acesas a cada domingo.

 

advent
presepio

Presépio de Belém

A tradição de realizar o presépio remonta a São Francisco de Assis, que em 1223 quis recrear na cidade de Greccio, em Italia, o nascimento de Jesus. A cena possui elementos essenciais, que são as imagens da Virgem Maria, São José e do Menino Jesus, acompanhados pelos animais, o burro que transportou Maria e a vaca que estava no estábulo. Há também os pastores e os seus rebanhos; os Magos e os seus camelos; a estrela e os anjos no céu.

 

Calendário do advento

Se tem filhos, pode fazer um calendário do Advento diferente e trocar os doces ou chocolates por atividades para fazer em família. Tenha em atenção que o Advento não tem apenas 24 dias, como se costuma ver nos calendários habitualmente. Se quiser fazer um com o tempo todo do Advento deve contar desde o primeiro domingo do Advento.
Sugestões de atividades:
visitar um doente, telefonar a um avô ou outro familiar que vive longe, desenhar ou pintar um desenho relativo ao Advento, fazer bolachas para oferecer no Natal…

 

calendar_advent

Árvore de Jessé​

É uma representação artística da árvore genealógica que mostra a relação de Jesus Cristo com Jessé, pai do rei David, e com os demais personagens bíblicos que foram os antepassados do Filho de Deus. Remonta a temos medievais. O costume é montar uma árvore com um ramo colocado num local visível da casa no início do Advento. E, ao longo dos dias, as famílias vão decorando a árvore com nome após nome da genealogia de Jesus, os quais são representados com alguns desenhos simbólicos. Mateus, no capítulo 1 (Mt 1, 1-17), enumera 42 antepassados de Jesus. Lucas, por sua vez, no capítulo 3 (Lc 3,23-38) enfileira 56 nomes.

Anjos do Advento

Cada membro da família, ao iniciar o período que antecede o Natal, poderá escolher secretamente o nome de um familiar para convertê-lo no seu anjo do Advento. Desta forma, durante as quatro semanas antes das festas natalinas, devem ser oferecidas orações e pequenos gestos de atenção e afeto por esse familiar querido. Na noite de Natal, será a ele que entregará a prenda, e o ideal é que o «anjo secreto» se mantenha secreto.

anjo_preces

Então é Natal...E o que nós fizemos?

A celebração natalina tem suas origens na cristianização da festividade pagão do sol invencível. Cristo é o novo sol que traz consigo a aurora de uma nova humanidade ressuscitada da morte e vencedora do pecado. Celebra-se o fim de todos os males e a irrupção de um novo mundo no qual “Ele enxugará toda lágrima de seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais” (Ap 21,4).

O natal não é uma festa de aniversário de Jesus Cristo. É a celebração do mistério de Deus que se faz um de nós para que nós possamos ser transformados em Deus. É a Palavra de Deus que se faz carne, tornando-se um ser humano. A partir de sua encarnação, A Palavra de Deus viveu todas as experiência às quais o gênero humano é submetido. Passou fome, sede, privações, sentiu-se só, amou e morreu. Na sua morte, eleva todos os seres humanos à dignidade divina, santificando-os para sempre.

O que celebramos no Natal?

Somos envolvidos pela correria do comércio. Os presentes, as viagens e tantas outras realidades próprias do fim de ano fazem-nos viver um tempo diferente. Mas será que estamos mesmo celebrando o Natal? Ou seja, será que estamos celebrando o nascimento de Jesus, o Deus que se fez Menino, nascido da Virgem Maria, que veio habitar em meio a nós?

Ele é a verdadeira Luz que brilhou para o povo que andava nas trevas. Ele veio para nos salvar e fazer de nós participantes da Sua vida divina. Trouxe-nos a grande e esperada libertação; por isso celebramos Seu nascimento! Mas será que em nossos dias, tão agitados e interativos, temos tido tempo para tomarmos consciência dessa verdade?

Penso que, celebrar o Natal sem nos deixar envolver pela ternura do amor de Deus, expresso no nascimento de Cristo, é como participar de uma festa sem conhecer os anfitriões e nem o motivo da comemoração. Você está presente, come, bebe, admira a decoração, observa os convidados, mas não tem porque se alegrar, vive tudo de maneira superficial, indiferente. E tenho certeza que não é isso que Deus espera de nós justo na festa do Seu nascimento.

Lugar que Deus escolheu para nascer

Precisamos recordar com urgência o motivo da celebração do Natal, e nos prepararmos com dignidade para esta festa, sem nos deixarmos levar pelo clima externo do consumismo. Mesmo que isso seja um grande desafio em nossos dias, é preciso fazermos nossa parte como cristãos! Aquela Luz que brilhou na Terra, há mais dois mil anos, é Jesus, a mesma Luz que deseja, hoje, iluminar nossa vida, dissipando toda espécie de trevas que o pecado nos incutiu.

Lembremo-nos de que, nosso coração é o lugar que Deus escolheu para nascer, pois somos únicos diante d’Ele. No entanto, como Pai amoroso que é, o Senhor continua a respeitar nossa liberdade e espera darmos o primeiro passo na direção certa, para que Sua luz entre em nossa vida.

É preciso abrir o coração para Cristo iluminar

Sem abertura de coração, a luz de Cristo não pode iluminar nossa vida! Ou seja: sem nos decidirmos a amar, perdoar, a sermos justos e dedicados, bondosos, alegres e pacíficos, não há como celebrarmos o nascimento de Deus em nós. Sendo assim, o Natal passa a ser mais uma festa sem sentido. Não basta presépios, Missa do Galo, troca de presentes e ceias fartas para o Natal acontecer, é preciso tomar a decisão de uma vida nova, pautada nos ensinamentos de Cristo, que nos conduzem às atitudes concretas e coerentes, à vivência da fé durante todos os dias do ano.

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Isaías 9,1). Ainda hoje existem muitos que caminham nas trevas do pecado, e Jesus deseja iluminá-los por meio de nós. Tenhamos a coragem de testemunhar o amor de Deus, a partir dos pequenos acontecimentos e das escolhas do nosso dia a dia. É esse o tempo favorável para uma vida nova! A luz brilhou em meio às trevas, veio reacender a esperança e nos dar a certeza de que, já não estamos sozinhos. Deus está conosco, Ele é o Emanuel! Sua luz nos contagia e aquece, por isso, abramos nossos corações e tenhamos a coragem de sermos faróis no mundo, levando, com a nossa vida, a luz que é Cristo, aos corações sedentos de amor e paz.

Assim, celebraremos o Natal, a festa verdadeira da Luz!

Símbolos do Natal

O Natal é uma época cheia de imagens, sons e sabores únicos. Símbolos natalinos, como a árvore enfeitada, a guirlanda e as próprias canções de Natal estão presentes em cada canto, reforçando uma tradição cristã que comemora o nascimento de Jesus Cristo. Alguns podem não saber, mas os enfeites que caracterizam essa época do ano estão repletos de histórias e significados, que fazem do 25 de dezembro uma das festividades mais aguardadas do ano. De tão antigas, muitas das tradições ainda presentes no mundo moderno, apesar de não terem perdido seu valor cristão, podem ter sua representação desconhecida, até mesmo pelos fiéis mais fervorosos. Conheça a origem e o significado de dez símbolos do Natal. 

1. Árvore de Natal

A árvore de Natal foi inventada por São Bonifácio, que ficou conhecido como apóstolo dos germanos ou evangelizador da Alemanha. O Santo nasceu na Inglaterra, em 672, e faleceu martirizado em 5 de junho de 754. Seu nome religioso, em latim Bonifacius, quer dizer “aquele que faz o bem”, tem o mesmo significado do seu nome saxão Wynfrith. Em 718, Bonifácio esteve em Roma e o Papa Gregório II o enviou à Alemanha, com a missão de reorganizar a Igreja local. Por cinco anos, ele evangelizou territórios que hoje fazem parte dos estados de Hessen e Turíngia. Em 722, foi feito bispo; um ano depois, inventou a árvore de Natal. Em 723, São Bonifácio derrubou um enorme carvalho dedicado ao deus Thor, perto da atual cidade de Fritzlar, na Alemanha. Para convencer o povo e os druidas, que eram sacerdotes do lendário povo celta, de que não era uma árvore sagrada, ele a cortou. Na queda, o carvalho destruiu tudo que ali se encontrava, menos um pequeno pinheiro. Segundo a tradição, Bonifácio interpretou esse fato como sendo um milagre. Isso aconteceu no Tempo do Advento, e como ele pregava sobre o Natal, declarou: “Doravante, nós chamaremos esta árvore de ‘Árvore do Menino Jesus’”. A partir disso, teve início o costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento de Jesus, inicialmente na Alemanha; depois, para o mundo todo. A partir do século XV, os fiéis começaram a montar as árvores em suas casas. Com a reforma protestante – que suprime as tradições do presépio e de São Nicolau –, a árvore adquire maior protagonismo em muitos países do norte. A seus pés, as crianças encontram os presentes trazidos pelo Menino Jesus.

2. Estrela de Natal

A estrela, na sociedade, sempre esteve ligada às “bússolas naturais” das pessoas. Hoje, os aparelhos de navegação evoluíram de tal forma que as estrelas se tornaram apenas ornamentos no céu, objeto de estudo. Contudo, durante milhares de anos, eram elas as responsáveis em guiar os navegadores pelos mares e os viajantes pelos desertos. Elas indicavam a direção, o sentido e o porto seguro. Foi uma estrela que guiou os três reis magos – Baltazar, Gaspar e Melchior – do Oriente até Belém, onde nasceu Jesus, para que pudessem presenteá-lo com ouro, incenso e mirra. É lembrada hoje pelo enfeite colocado no topo da árvore de Natal. Jesus Cristo é a estrela que guia a humanidade, Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6). 

3. Prendas (Presentes)

A relação Natal-presente é muito antiga. Desde o início, um presente nestas datas tem sido um modo de transmitir às pessoas queridas, de modo material, a alegria própria pelo nascimento do Filho de Deus. Até o século XIX, não se generalizou a ideia, fruto das classes médias, da burguesia. Reis Magos, Menino Jesus, São Nicolau ou Papai Noel, Befana, Olentzero, Caga Tiò são personagens que, nas festas natalinas, dão presentes às crianças.

4. Bolas Coloridas

As bolas coloridas, que adornam a Árvore de Natal, significam os frutos da árvore da vida, que é Jesus. Elas representam os frutos dessa árvore, os dons maravilhosos que o nascimento de Jesus nos trouxe, e, ao mesmo tempo, as boas ações daqueles que vivem em Cristo.

5. Cartão de Natal

A prática de enviar cartões de Natal surgiu, na Inglaterra, no ano de 1843. Em 1849, os primeiros cartões populares de Natal começaram a ser vendidos por um artista inglês chamado William Egly. Independentemente da sofisticação, beleza e simplicidade, os cartões são símbolos do inter-relacionamento do homem. O ser humano é comunicação, é relacionamento. A dimensão dialogal, de comunhão e empatia do ser humano se expressa pela palavra escrita nesses cartões. Nesse sentido, é significativo nos expressarmos por meio da arte e da palavra contida nesses cartões, pois Cristo é o Verbo, a Palavra criadora, unificadora e salvadora de Deus (cf. Jo 1,1-5).

6. Reis Magos

A importância dos Reis Magos é principalmente religiosa: eles são os protagonistas da Epifania, isto é, a manifestação de Deus a todos os homens, a todos os povos da Terra. Eles já haviam sido anunciados no Antigo Testamento (Livro dos Reis e Isaias). São Mateus os descreve como “Magos do Oriente”. Que fossem três, e reis, é uma tradição que se consolidou rapidamente, como o demonstrou Orígenes, teólogo do século II. Provavelmente, tratava-se de sacerdotes da Babilônia, do culto de Zoroastro, dedicados à astrologia

7. Presépio

As esculturas e os quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis, além das representações teatrais semi-litúrgicas que aconteciam durante a Missa de Natal, serviram de inspiração para que se criasse o presépio. A tradição católica diz que o presépio (do latim praesepio) surgiu, em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo mais realista. Com a permissão do Papa, Francisco montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de São José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.

O sucesso dessa representação do Presépio foi tanta que, rapidamente, se estendeu por toda a Itália. Logo, introduziu-se nas casas nobres européias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Na Espanha, a tradição chegou pela mão do Rei Carlos III, que a importou de Nápoles no século XVIII. Sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos estendeu-se ao longo do século XIX. A França não o fez até o início do século XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o presépio seja o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.

8. Anjos

O Anjos são mensageiros de Deus na história da salvação. São o sinal de que “os céus se abriram e Deus visitou seu povo”. Simbolizam a comunicação com o Senhor. A Igreja Católica, baseando-se nas Sagradas Escrituras, na herança judaica e nos escritos dos Santos Padres, crê na existência dos anjos, como afirma o próprio Catecismo: “A existência dos seres espirituais, não-corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade da fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição” (CIC 328). O desenvolvimento da angeologia (estudo dos anjos), na Igreja Católica, aconteceu principalmente no período dos padres apostólicos, quando a fé cristã se viu ameaçada em sua pureza por diversas heresias.

9. Pão Celeste

Pão Celeste faz parte da cultura polonesa. Trata-se de uma espécie de hóstia, feita de trigo, sem fermento, e cuja cor e forma podem variar. É usado na hora da ceia do Natal. O pai da família quebra e reparte a hóstia (não consagrada) entre os presentes. A seguir, desejam paz e boas festas mutuamente uns aos outros, codividindo a sua parte da hóstia com todos; enquanto isso, cada qual come a parte que recebe dos outros. Esse rito tão simples relembra a festa bíblica da libertação. Exprime a unidade e a solidariedade da família que se alimenta com o mesmo pão em meio a votos de felicidade.

10. Ceia de Natal

Ceia de Natal, símbolo do banquete eterno, é o momento em que a família se reúne para celebrar. A Ceia ou refeição do Natal significa que a nossa verdadeira vida é Cristo, o Filho de Deus, o qual estamos festejando. Na Ceia, costuma-se colocar, no centro, uma vela acesa para simbolizar Cristo, que nos une em volta de Si, que é a nossa luz

11. Pai Natal – Papai Noel

O Pai Natal/Papai Noel foi inspirado no bispo São Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, na Turquia, do século IV. Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas. Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e, depois, espalhou-se por todo o mundo. Nos Estados Unidos, a tradição do velhinho de barba comprida e roupas vermelhas, que anda num trenó puxado por renas, ganhou força. A figura do Papai Noel que conhecemos hoje foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper’s Weeklys, em 1881

12. Missa do Galo

No século V, o Papa Sisto III introduziu, em Roma, o costume de celebrar uma vigília noturna, à meia-noite, no Natal: mox ut gallus cantaverit (enquanto o galo canta). A Missa tinha lugar num pequeno oratório, chamado ad praesepium (junto ao presépio), situado atrás do altar-mor da Basílica paleo-cristã de São Pedro. A celebração Eucarística dessa Noite Santa começa com um convite insistente e urgente à alegria: “Alegremo-nos todos no Senhor, porque nosso Salvador nasceu no mundo” – dizem os textos da liturgia. O tempo litúrgico do Natal vai até o domingo do batismo do Senhor, o domingo seguinte à Epifania.

13. Velas

As velas representam a luz de Cristo. Elas simbolizam a presença d’Ele como luz do mundo. Jesus mesmo disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem anda comigo não anda nas trevas” (Jo 8,12). Cada Natal deve renovar a nossa fé em Jesus e nosso empenho de viver n’Ele, com Ele e por Ele, a luz do mundo. 

14. Coroa do advento

É feita de ramos de pinheiro ou cipreste. Sendo verde, é sinal de esperança e vida. Enfeitada com uma fita vermelha, simboliza o amor de Deus que nos envolve e também a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. Na coroa encontramos quatro velas, uma para cada domingo do Advento. Começa-se a acendê-las no 1º domingo, acendendo apenas uma vela. À medida que vão passando os domingos, vão acendendo-se as outras, uma a uma, até chegar ao 4º domingo quando todas devem estar acesas. As velas acesas simbolizam nossa fé, nossa alegria pelo Deus que vem; elas também simbolizam a luz, que lembra a salvação; o verde, simboliza a vida; a forma arredondada, a eternidade.

A coroa do Advento encontra suas raízes nos costumes anteriores ao Cristianismo, dos povos do norte, entre os séculos IV e VI. Durante o inverno, devido à pouca luz de dezembro, eles colhiam coroas de ramos verdes e acendiam fogos como sinal de esperança pela vinda da primavera. No século XVI, católicos e protestantes alemães começaram a utilizar esse símbolo durante o Advento. Aqueles costumes primitivos continham uma semente de verdade, que agora podiam expressar a verdade suprema: Jesus é a Luz que veio, que está conosco e que virá na glória. As velas antecipam a vinda da Luz no Natal: Jesus Cristo.

O Tempo do Natal

O Natal é a celebração principal de todo o ciclo natalino. Constitui portanto o seu centro. Cristo nasce em Belém da Judéia, em noite fria (inverno), mas traz do céu o calor vitalizante da santidade de Deus, em mensagem de paz dirigida sobretudo aos pobres, com quem se identifica mais plenamente, cumulando-os das riquezas do Reino. Sua “noite feliz” sinaliza para a “noite fulgurante” da Sagrada Vigília Pascal do Sábado Santo, onde as trevas são dissipadas, definitivamente, pela luz do Cristo Ressuscitado. No Natal se dá a união hipostática, ou seja, a natureza divina se une à natureza humana, numa só pessoa, a pessoa do Verbo Encarnado (Cf. Jo 1,14), mistério que transcende a compreensão humana. É pura humildade de Deus e pura gratuidade do amor divino.

O Tempo do Natal, suas Festas e Solenidades na Liturgia 

Como o Advento, tem também o Tempo do Natal dois momentos. Um, imediato: é a Oitava do Natal, que prolonga a solenidade natalina por oito dias, encerrando-se no dia primeiro de janeiro. O segundo momento vai de 2 de janeiro até a Festa do Batismo do Senhor, quando então se encerra o ciclo natalino. Vejamos, agora, as festas e solenidades do ciclo do Natal, nomeando-as, mas sem referência a aspectos celebrativos:

No Advento (além dos quatro domingos)

Solenidade da Imaculada Conceição – em 8 de dezembro.

Festa de Nossa Senhora de Guadalupe – em 12 de dezembro.

No Natal

Solenidade principal do ciclo natalino, com vigília e três missas.

No Tempo do Natal:

São duas as solenidades e duas também as festas celebradas no Tempo do Natal, além, é claro, da solenidade principal de 25 de dezembro. São elas:

Solenidade da Santa Mãe de Deus

Esta solenidade é celebrada em 1º de janeiro, com a qual se encerra, como vimos, a Oitava do Natal. No Dia Universal da Paz (1 de janeiro) o calendário dos santos se abre com a festa de Maria Santíssima no ministério de sua Maternidade Divina. Primeira festa mariana que apareceu na Igreja ocidental, a festa de Maria Santíssima, substituiu o costume pagão das dádivas e começou a ser celebrada em Roma, no século IV.Concebido pelo Espírito Santo, Jesus o filho de Maria veio ao mundo para trazer redenção e lembrar o amor incondicional de Deus por todos nós. Maria é a “mãe Virgem”, “Filha de seu Filho” e ideal sublime de humildade. Ao assumir a missão divina que lhe foi confiada, Maria sabia que também teria seu calvário, enquanto mãe daquele que morreria para salvar toda a humanidade. Em tempos difíceis de angústia, Maria, Mãe de Jesus e de todos nós, está sempre pronta para nos ajudar. Não se pode aceitar o filho sem aceitar a mãe. No evangelho de São Lucas (6,43) Jesus nos esclarece: “Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto”. O Fruto de Maria é Jesus, sendo assim ela trouxe o Salvador ao Mundo em seu ventre abençoado. Deus se faz carne por meio de Maria. Ela é o elo de união entre o Céu e a Terra!

Solenidade da Epifania

A Epifania do Senhor é a festa que comemora a manifestação de Jesus Cristo como Messias – Filho de Deus e Salvador do mundo. É o acolhimento da Boa Nova da Salvação no mistério da Encarnação. Esta primeira manifestação se dá aos reis magos que, guiados por uma estrela, chegam a Belém, e ao ver o Menino com Maria, sua Mãe, ajoelham-se diante dele e o adoram. Mago, quer dizer sábio, talvez foram os primeiros a estudar astronomia no mundo, por isso viram o surgimento de uma estrela diferente e se colocaram a caminho para encontrar o que ela indicava. A Epifania é a manifestação de Jesus como Filho de Deus e Salvador do mundo. Desde o pecado de Adão e Eva, Deus toma a iniciativa e vem ao encontro da humanidade para se revelar como o Deus que salva. O Papa emérito Bento XVI diz que, por amor, Jesus fez-se história na nossa história.

Festa da Sagrada Família

Esta festa é celebrada no domingo que cai entre os dias 26 e 31 de dezembro. Se não houver domingo neste período, então a Festa da Sagrada família é celebrada no dia 30 de dezembro, em qualquer dia da semana. Neste dia a igreja convida todos a olhar para Jesus, Maria e José, que desde o início tiveram que enfrentar os perigos do exílio no Egito, mas, sempre mostrando que o amor é mais forte do que a morte. Eles são um reflexo da Trindade e modelo de cada família.

Em 2013, ao celebrar esta festa, o Papa Francisco lembrou desta condição de refugiados vivida pela Sagrada Família e indicou que nos dias atuais muitas famílias sofrem com esta realidade. “Quase todos os dias a televisão e os jornais dão notícias de refugiados que fogem da fome, da guerra, de outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as próprias famílias”, pontuou o Pontífice. “Jesus quis pertencer a uma família que experimentou estas dificuldades para que ninguém se sinta excluído da proximidade amorosa de Deus. A fuga ao Egito por causa das ameaças de Herodes nos mostra que Deus está lá onde o homem está em perigo, lá onde o homem sofre, lá onde é fugitivo, onde experimenta a rejeição e o abandono; mas Deus está também lá onde o homem sonha, espera voltar à pátria na liberdade, projeta e escolhe pela vida e dignidade sua e dos seus familiares”, disse.

A solenidade da Sagrada Família é também uma festa que incentiva a aprofundar o amor familiar, examinar a situação do próprio lar e buscar soluções que ajudem o pai, a mãe e os filhos a serem cada vez mais como a Família de Nazaré. Este foi outro ponto indicado pelo Papa Francisco em 2013. Na ocasião, o Santo Padre ressaltou que o “nosso olhar hoje para a Sagrada Família se deixa atrair também pela simplicidade da vida que essa conduz em Nazaré. É um exemplo que faz tanto bem às nossas famílias, ajuda-as a se tornarem sempre mais comunidades de amor e de reconciliação, na qual se experimenta a ternura, a ajuda mútua, o perdão recíproco”.

A vida familiar não pode ser reduzida a problemas de relacionamento, deixando de lado os valores transcendentes, já que a família é o sinal do diálogo entre Deus e o homem. Pais e filhos devem estar abertos à Palavra e ouvir, sem esquecer a importância da oração familiar que une fortemente os membros da família.

Festa do Batismo do Senhor

Com a Festa do Batismo do Senhor encerra-se o ciclo do Natal. A data de sua celebração depende da Solenidade da Epifania. Se a Epifania for celebrada até o dia 6 de janeiro, então o Batismo do Senhor se celebra no domingo seguinte. Se, porém, a Epifania for celebrada no dia 7 ou 8 de janeiro, então a Festa do Batismo do Senhor será celebrada no dia seguinte, isto é, na segunda-feira. A Festa do Batismo do Senhor marca o início da vida pública e missionária de Cristo. Comemoramos o Batismo de Jesus por São João Batista nas águas do rio Jordão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se a esse rito tal como se submetera às demais observâncias legais, que também não O obrigavam.

O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19). No Batismo do seu Filho, o Pai apresenta, manifesta a Israel o Salvador que ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o meu Filho amado; em ti ponho o meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”! (3,17). Estas palavras contêm um significado muito profundo: o Pai apresenta Jesus usando as palavras do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura da missa. Mas, note-se: Jesus não é somente o Servo; ele é o Filho, o Filho amado! O Servo que o Antigo Testamento anunciava é também o Filho amado eternamente! No entanto, é Filho que sofrerá como o Servo, que deverá exercer sua missão de modo humilde e doloroso!

Frase no final

Neste tempo de Advento e Natal somos todos convidados a renovar o nosso encontro pessoal com Jesus Cristo, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele e a procurá-l’O, dia a dia, sem cessar (cf. EG 3), na certeza de que “a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG 1).

Bençãos de Deus na sua vida!

Compartilhar:
error: Conteúdo protegido!
Missão Católica Portuguesa - Participe da Santa Missa
Políticas de Privacidade

Nós utilizamos cookies. Cookies são pequenos arquivos de textos simples que sites armazenam em seu navegador para salvar suas preferências e configurações. Por exemplo, quando você acessa um site pela primeira vez, que faz uso de cookies, este site envia um arquivo de texto com suas preferências para o seu navegador, como: região de onde você está acessando, idioma escolhido, sistema operacional, navegador, e etc.  Quando você acessar o site novamente, seu navegador irá enviar este arquivo para o site, desta forma as suas configurações e preferências serão aplicadas automaticamente sem que você precise configurar tudo de novo (a menos que você queira)